Bits to Brands #134 | O poder dos fandoms

Uma velha sensação assume novos papeis, impulsionada pelas redes sociais

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#132 | Uma celebridade para chamar de sua

#133 | O futuro do Instagram (parte 2)
Tempo de leitura: 5 minutos

Ah, os fãs. A gente adora se incomodar com fandom “causando” nas redes sociais, parece que esquece que um dia já foi obecado, apaixonado, vidrado em algo ou alguém.

Eu lembro das filas na livraria à meia noite quando um novo Harry Potter estava para sair. Perdia horas em fóruns online dedicados a Linkin Park. Comprei um único ingresso para um show do John Mayer no interior da Pensilvânia sem saber nem como ia chegar lá.

Consegui uma carona e deu tudo certo. O ano era 2013, um estranho tirou essa foto minha na frente de um mural com a capa do Paradise Valley e eu tenho esse ingresso guardado até hoje :)

A gente materializa em momentos e ações, mas ser fã é uma sensação. E tem muita gente vivendo isso agora pelas redes sociais, plataformas de streaming e produtos digitais.

A comparação que mais fez sentido pra mim foi quando alguém falou que “Olivia Rodrigo é a Avril Lavigne dos adolescentes de hoje”. Só que a diferença é que eles estão ouvindo no repeat e quebrando recordes do Spotify, enquanto a gente ficava plantado na frente da TV para ver o clipe na MTV. [pausa pro quanto estamos velhos]

São diferentes formatos, canais, plataformas, comportamentos, conteúdo… Mas o sentimento é o mesmo de sempre. E o olhar atento das marcas à idolatria que gera engajamento e consumo, também.

Os fandoms têm deixado para trás um papel somente de apreciação e defesa, para tornarem-se ativamente envolvidos e co-responsáveis por impactos reais.

Eles surgem em torno de uma personalidade mas, através das redes sociais, ganham vida própria. Promovem marcas, compartilham conteúdo, constroem redes de apoio, se unem em torno de causas e hashtags e, claro, estão sempre a postos para apoiar seu ídolo.

De Zoe Caman: “A habilidade de uma marca de cultivar o poder cultural, o poder de comunidade e o poder comercial dos fandoms será determinante para o seu sucesso na próxima década”.

Segundo Zoe Caman em seu estudo O Futuro dos Fandoms, há cinco grandes oportunidades para marcas se relacionarem com fandoms - seja cultivando seus próprios, seja interagindo com aqueles que já existem. São elas:

Fandoms como comunidades auto dirigidas

Como criar espaços para que os consumidores interajam entre si, e cultivar comunidades verdadeiras que geram valor e insight tanto para quem participa, quanto para a marca?

Fandoms como comércio

Como aumentar a audiência através de uma série de conteúdos que as pessoas querem mais, e que depois podem se tornar base para produtos e serviços que elas vão querer comprar?

Fandoms como colaboradores criativos

Como criar uma via dupla de diálogo com os consumidores, para garantir que seus feedbacks, ideias, necessidades e desafios estão sendo ouvidos e criar produtos que realmente os colocam no centro?

Fandoms como investidores

Como alinhar os consumidores com o valor de uma marca, de forma que eles invistam ativamente e compartilhem da busca por resultados positivos?

Fandoms como creators

Como convidar a audiência para usar a sua imaginação e talento para ajudar a marca a criar novos personagens, ideias, produtos e serviços?

Seja qual for a estratégia escolhida, como primeiro passo basta deixar-se guiar por uma velha máxima: se não pode vencê-los, junte-se a eles. É isso que a Liv Up tem vivenciado nas últimas semanas, com o reality No Perrengue e a sua aproximação de um fandom super engajado.

Os fãs do ex-BBB Arthur, que se faziam presentes nas redes sociais da marca há meses, foram contemplados pela sua participação no reality show e colocaram a Liv Up nos trending topics repetidas vezes desde o lançamento. A hashtag #ArthurcomLivUp foi usada mais de dois milhões de vezes (!!!).

Um reality show que entretém enquanto ressalta a proposta de valor da marca e um apresentador carismático são os outros ingredientes dessa receita, cujo resultado é uma estratégia de conteúdo que rapidamente se tornou referência.

O tempero especial fica por conta do engajamento de um fandom, mostrando que de fato o futuro é das marcas que souberem se inserir na cultura, nas comunidades e nas conversas de grupos que, movidos por aquilo que só quem é fã entende, estão sempre dispostos a ir além pelos seus ídolos.

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Momento de Inspiração

Lançado essa semana mesmo, o último comercial da Brastemp mostra que uma cozinha bonita e bem equipada não é exclusividade de quem vive de receitas elaboradas. Nuggets e macarrão com salsicha também tem o seu lugar. A trilha sonora é um destaque à parte.


Caixa de Perguntas

Um espaço pra opinar mais livremente, falar mais da minha experiência, o que tem por trás da Bits e, claro, como eu posso ajudar por aí. Deixe aqui neste link sua pergunta sobre construção de marca, uma tendência recente, sobre newsletter ou estratégia de conteúdo, que toda semana uma delas será respondida :)

Para preservar o tamanho do e-mail, voltamos semana que vem com essa seção. Deixe a sua pergunta na caixinha :)


Das minhas abas para as suas

  • Um momento histórico. Um CEO realizando um sonho. Uma marca no espaço. Aparentemente, a primeira de muitas. Jeff Bezos pretende levar a sua Blue Origin para além do horizonte ainda esse mês, oficializando não só a disputa dos bilionários pelo espaço, mas também a possibilidade de voos comerciais. O que ainda não está claro é se isso terá impacto real na sociedade, ou vai ser o novo presente dos ricos.

  • Currículos via TikTok. A plataforma agora vai permitir que empresas cadastrem vagas e que candidatos mandem, ao invés de uma cópia do seu currículo em PDF, um vídeo no TikTok. Ao refletir se isso faz sentido, te convido a pensar: se você tiver uma vaga de social media aberta na sua empresa e receber um vídeo como esse, contrataria ou não?

  • E falando em TikTok, na última edição da Bits to Brands falamos sobre como o Instagram não consegue superar a força criativa que existe ali dentro. Esse vídeo aqui é um ótimo exemplo:

  • “Tinder lança recursos para não ser considerado ‘cringe’”. Os vídeos curtos estão oficialmente tomando a internet, e nenhuma plataforma quer ficar para trás.

  • Duas semanas sem emoji. Foi o desafio que essa designer se propôs, que rendeu uma bela análise sobre a origem e a influência dos emojis na nossa comunicação. Às vezes um coração significa “eu amo você", “eu estou com saudades", “eu adorei o que você disse", etc. Eu estava esperando que o meu interlocutor adivinhasse exatamente o significado?


Final notes

A análise de hoje é uma daquelas que nasce do encontro de um tema que está há tempos na curadoria de tendências e uma série de experiências pessoais - das mais antigas, como um show do John Mayer, às mais atuais, como acompanhar a construção de No Perrengue de perto junto ao incrível time de branding da Liv Up.

Espero que resgate por aí o sentimento de fã que certamente você já vivenciou. E se quiser compartilhar comigo, estarei curiosa e atenta na caixa de entrada para saber. É só responder esse e-mail :)

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com

obrigada por ler até o final, e não esqueça de compartilhar :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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