Bits to Brands #140 | Dez perguntas para a tecnologia

Coisas que talvez a gente não tenha parado para se perguntar sobre os produtos que usamos todos os dias - e deveria

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#138 | O digital na TV

#139 | Músicas para marcas

Tempo de leitura: 5 minutos

As perguntas a seguir foram escritas por L.M. Sacasas, e chegaram até mim através do Austin Kleon.

Há algumas semanas, um tweet do Lucas Schuch gerou polêmica ao questionar plataformas que podem ter intensificado os problemas que prometeram resolver:

Mas não é preciso passar muito tempo nas redes sociais para ver pessoas reclamando do serviço da Uber, os memes de apartamentos minúsculos que custam mais de 5 salários mínimos são frequentes e as condições de trabalho às quais os entregadores de aplicativos são submetidos vêm sendo discutidas desde antes da pandemia.

Ou seja: por mais fã de um ou outro serviço que você seja, é preciso parar para refletir um pouco.

Porque por mais que a gente possa considerar essas plataformas uma força externa, imposta ao nosso dia a dia, o que todas elas têm em comum é: elas moram nos nossos celulares. Elas oferecem conveniência, preços baixos e, com muito marketing, conquistaram seu lugar na nossa rotina de maneira que não dá mais para imaginar o mundo antes.

Como assim ligar para pedir pizza? Como assim ir até o ponto de táxi? Como assim procurar uma imobiliária?

Mas junto com todo o conforto, cada um desses serviços trouxe consigo mudanças sociais, econômicas e comportamentais profundas. Com cada um de nós - os usuários - no centro disso.

Por isso, é preciso sair da inércia que faz com que de 15 em 15 reais a fatura do cartão some 700 no final do mês, e parar para pensar.

O escritor L.M. Sacasas escreveu, há mais de seis anos, 41 perguntas para ajudar a entender as implicações éticas e morais das ferramentas que temos à disposição.

Não é para ser um questionário ou perguntas eliminatórias. Mas são aspectos relevantes que, talvez, a gente ainda não tenha parado para pensar - enquanto permanece alheio ao impacto real e cada vez maior dessas plataformas na nossa sociedade.

Das 41 perguntas, trago as 10 que mais se destacaram. Você pode conferir a lista completa aqui.

  1. O que eu me tornarei como pessoa através do uso dessa tecnologia?

  2. Que tipo de hábitos o uso dessa tecnologia irá criar na minha vida?

  3. Como essa tecnologia afeta a minha percepção de tempo? E de espaço?

  4. Como essa tecnologia afeta a minha maneira de relacionar com outras pessoas? E com o mundo à minha volta?

  5. Que coisas essa tecnologia me encoraja a perceber? E a ignorar?

  6. O que essa tecnologia requer de outras pessoas para que eu possa utilizá-la?

  7. De que forma essa tecnologia me empodera? E a que custo?

  8. Eu consigo me imaginar vivendo sem essa tecnologia? Por que?

  9. Usar essa tecnologia requer que eu pense mais, ou menos?

  10. Como o mundo seria se todos usassem essa tecnologia exatamente da mesma maneira que eu?

Pense na rede social onde passa mais tempo.

Pense no aplicativo que mais ocupa espaço na sua fatura do cartão de crédito.

Pense sobre a tecnologia que está ajudando a construir ou comunicar.

Pense naquela inovação “do momento”, que todo mundo está comentando.

Pense no unicórnio que acabou de receber centenas de milhões de investimento para revolucionar o que quer que seja.

Pense.

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Momento de Inspiração

A coisa mais inspiradora dos últimos dias veio diretamente da newsletter do James Clear, e é uma carta sobre o que essa pessoa teria feito diferente na vida. Melhora a cada frase.


Caixa de Perguntas

Ao invés de responder, hoje eu quero perguntar. Essa seção é útil pra você?

A ideia sempre foi poder ser um pouco off-topic da edição, trazer um tema sugerido por vocês, contribuir num desafio específico ou falar do que está por trás da Bits.

Mas quero saber se segue fazendo sentido. E a melhor maneira de você me responder é depositando uma pergunta aqui na caixinha - se a resposta for sim.

E se tiver alguma outra sugestão, pode me responder esse e-mail :)


Das minhas abas para as suas

  • Por que o Uber está demorando tanto? Essa matéria da BBC tenta responder, consultando diversos motoristas e trazendo dados como: desde 2020, 25% desistiram de trabalhar em plataformas de transporte.

  • Feito num iPad. A última propaganda da Apple não foi uma propaganda: foi o clipe da Olivia Rodrigo. Mais do que uma artista falando do produto, a marca fez acontecer elementos do seu último clipe, para depois pedir os créditos.

  • Os 100 sites mais acessados do Brasil. Análise da SEMRush traz no top 10 buscas, notícias e entretenimento, sendo o único representante do e-commerce o Mercado Livre, em 8o lugar.

  • A evolução da persona é a comunidade. Esse é o ponto do artigo da Ana Andjelic, que me ganhou na primeira frase quando afirmou que “personas são como horóscopo”. A sugestão dela é focar nas relações e nas comunidades que as pessoas pertencem, não somente em indivíduos.

The Sociology of Business
Targeting taste communities
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Final notes

Uma edição mais reflexiva, que quem está aqui há mais tempo sabe que a gente gosta de fazer. Nos últimos tempos tenho tentado trazer uma tendência no espaço principal da newsletter, mas achei o tema de hoje, apesar de atemporal e desconectado de um acontecimento específico, extremamente necessário.

Obrigada pela troca de sempre, restam somente 5 vagas para a Masterclass de Newsletter que acontece semana que vem, e um bom feriado! :)

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com

obrigada por ler até o final, e não esqueça de compartilhar :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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