Bits to Brands #137 | Ressaca de internet

Será que vamos todos desconectar coletivamente?

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Tempo de leitura: 6 minutos

A pandemia chegou e com ela foi embora qualquer chance de um "detox digital”. Não que antes estivesse fácil, mas uma vez que a vida só acontecia online e os dias se resumiram a circular de uma tela para a outra, a gente teve que aceitar: as telas venceram.

E se (somente após o avanço significativo da vacinação e recomendações oficiais) a pandemia puder dar uma trégua? E a gente puder sair de novo, se ver de novo, frequentar lugares mais livremente? Será que cabe renegociar a nossa relação com a internet?

Essa foi a reflexão que a jornalista Kaitlyn Tiffany fez no The Atlantic há algumas semanas, quando essa era a realidade no horizonte para os Estados Unidos, no artigo America Offline.

Conforme passamos a questionar, por aqui, se vai ter verão, Ano Novo, carnaval e Rock in Rio, vale questionar também: vai ter tanta internet?

Para ajudar a responder, trago alguns trechos traduzidos e adaptados do artigo original (em itálico) - e uma conclusão própria.

Os adultos falaram, ano passado, sobre descobrir o TikTok, e usá-lo para acalmar as ansiedades do resto do mundo.

Eles também fizeram infinitos Zooms, e aí discutiram “a fatiga de Zoom”. O Tinder atingiu a marca de 3 bilhões de swipes em um dia em março (só para quebrar esse recorde muitas vezes em 2020). O Clubhouse explodiu e inspirou várias cópias por aí; o Twich e o Discord também bombaram. A Netflix cresceu ainda mais e os aplicativos de delivery tornaram-se mais populares.

Esse foi o ano em que a internet nos resgatou, deu propósito e colonizou todos os espaços das nossas vidas.

Mas, conforme a esperança de uma vida social presencial começa a surgir no horizonte, podemos presumir que estamos à beira de algo grande: uma retirada coletiva e coordenada de "streaming” e “swiping”, e um novo consenso de que ficar em casa assistindo Netflix passará a ser quase uma afronta.

Desde antes da pandemia discutíamos a nossa obsessão nada saudável com a internet. Há dois anos nós achávamos que estávamos no auge do online, à beira do insuportável. Mas aí veio a pandemia, e vimos que dava para ir ainda mais longe.

Nós sabíamos que estávamos mais dependentes do que nunca, mas a internet era a nossa única alternativa de interação social, então o que restava era marcar aquele happy hour virtual. E, apesar da euforia inicial ter ido embora junto com o boom das lives, muita gente se adaptou à vida dominada por telas.

Se em 2019 o que a gente mais queria era desconectar, olhando para 2022 nem todo mundo está disposto a abrir mão do trabalho online, dos cursos online, da terapia online, dos exercícios online.. Da vida como um todo, regida pelo online. E não há “detox digital” que compense a rotina repleta de deslocamentos e imprevistos.

Dois anos atrás, a gente estava deletando e baixando novamente o Instagram, implorando para experts ensinarem a viver de maneira mais saudável com a internet no bolso. Em 2021, fazer isso parece meio tolo. O número de assinantes da Netflix pode desacelerar e o Tinder pode sair um pouco de moda, mas é difícil imaginar que nós vamos coletivamente ficar offline.

Ao invés disso, podemos estar caminhando para uma grande renegociação - individual e coletiva.

Individualmente, será preciso identificar o que é interação, ferramenta e necessidade, e deixar de lado o que se tornou vício, na busca por um maior equilíbrio entre a vida real e a virtual.

Enquanto coletivamente vamos refazer acordos no ambiente de trabalho e na vida social, conforme alguns optam por voltar, outros por permanecer prioritariamente virtuais.

O questionamento que fica é se vamos conseguir despertar para essa nova realidade e encarar essas questões com maturidade e tranquilidade. Ou se vamos acordar nesse “dia seguinte” com o misto de arrependimento, dor de cabeça e abstinência característico de outros tipos de excesso. A famosa ressaca.

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Momento de Inspiração

Uma lembrança dos pequenos grandes momentos de 2021. A Uber Eats criou souvenires para marcar “eventos” recentes, que foram basicamente momentos banais que exigiram que a gente saísse de casa. Entre eles, fazer feira e ir ao escritório buscar uma cadeira. O design é um destaque dessa ação, que conseguiu tratar com leveza, mas sem glamourização excessiva, os últimos tempos.


Caixa de Perguntas

Um espaço pra opinar mais livremente, falar mais da minha experiência, o que tem por trás da Bits e, claro, como eu posso ajudar por aí. Deixe aqui neste link sua pergunta sobre construção de marca, uma tendência recente, sobre newsletter ou estratégia de conteúdo, que toda semana uma delas será respondida :)

A minha pergunta é sobre o crescimento do movimento sustentável e como isso está impactando nas empresas que precisam aliar suas marcas ao cuidado cada vez mais necessário com as questões da saúde do planeta e de todos os seus habitantes. Quais tecnologias estão sendo adotadas para que a percepção de certas marcas “melhore”?

Isso é um spoiler de um tema que certamente irá virar edição da newsletter, ou até material para o próximo report de tendências: Carbonomics. O uso da tecnologia para medir e compensar emissões de carbono a nível individual, e por cada vez mais marcas.

Compensação que, por sua vez, está sendo divulgada das mais diversas formas - de campanhas na TV à rótulos de produto.

Essa semana mesmo, a AMARO está investindo ativamente em divulgar que é uma empresa carbono negativo. Da mesma forma, a Suzano tem propagandas na TV e a Gol mandou comunicado para os clientes.

Vale ficar de olho nesse movimento.


Das minhas abas para as suas

  • INSCRIÇÕES ABERTAS! Temos duas Masterclass no mês de agosto: uma turma de Curadoria de Conteúdo, e uma turma de Posicionamento de Marca. Para quem está chegando agora, Masterclass é uma aula ao vivo comigo, para aprender um tema específico com leveza e didática.

    A aula de Curadoria de Conteúdo contém um método para encontrar, selecionar e compartilhar conteúdo com constância e qualidade; enquanto a aula de Posicionamento é pra você que precisa tomar decisões estratégicas para definir e construir um território em volta da sua proposta de valor (seja marca, ou produto).

    Todos os detalhes, datas e como garantir a sua vaga (são turmas pequenas!), AQUI:

    Quero me inscrever em uma Masterclass

  • Esse tweet que basicamente resume a experiência de ler num Kindle. Que, inclusive, eu recomendo. Junto a uma série de livros que eu deixei recomendados nessa lista aqui.

  • O balanço das Olimpíadas, por Caio Braz. Que, inclusive, fez uma ótima cobertura do backstage de Tóqui no último mês. Sua análise traz desde a geração TikTok chegando ao pódio até o destaque do Nordeste no quadro de medalhas.

  • 5 lições de empresas digitais chinesas. Se você, assim como eu, não tem tanto conhecimento do que acontece na China, esse artigo vai explodir sua cabeça. Me ganhou nas referências, e também ao se referir ao TikTok como "serendipidade social” (perfeito!).


Final notes

A newsletter dessa semana chegou um dia depois, porque ontem teve aula. Mais de 200 pessoas compartilharam comigo 1h do seu tempo, pra falar de branding e também de McDonald's, XP, Nickelback, Aff the Hype, Farm, TikTok, Curaprox, dentre tantas outras referências que só quem viveu sabe que fazem perfeito sentido ;)

É sensacional saber que o que faz sentido por aqui, também faz sentido por aí. Espero que a gente siga se encontrando - aqui na caixa de entrada e em sala de aula - por muito tempo ainda.

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com

obrigada por ler até o final, e não esqueça de compartilhar :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

📩 essa é uma newsletter semanal sobre tendências de tecnologia e comportamento para marcas. se você aproveitou essa edição e ainda não assina, receba por e-mail: