Bits to Brands #103 | O tal dilema

Reflexões a partir do documentário que deixou todo mundo pensando (e postando)

Tempo de leitura: 7 minutos

Achei que estava tarde pra falar desse tema, mas uma enquete despretensiosa no Instagram essa semana trouxe mais de 30 pessoas querendo falar sobre o documentário “O Dilema das Redes”, que estreou em setembro na Netflix.

Depois de assistir, trocar e refletir, compartilho meu ponto de vista na esperança de que seja um bom complemento às discussões que você certamente já viu por aí.

(e se não segue a Bits no Instagram, tem muito papo legal rolando por lá durante toda a semana, além de desdobramentos dos temas da newsletter. vem!)

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com :)

O tal dilema

Recentemente, “O Dilema das Redes” tomou as redes sociais (a ironia). Teve gente recomendando, gente não recomendando, e muita gente reclamando. (Um dia comum no Twitter)

O que importa é que, apesar dos problemas de execução (um certo simplismo nos argumentos e a dramatização exagerada), a Netflix conseguiu trazer à tona questões que já permeavam o universo da tecnologia de forma muito didática e abrangente.

O resultado disso foi a disseminação de uma série de reflexões. Das blogueiras de lifestyle aos grandes portais de tecnologia, ninguém queria ficar de fora dessa pauta.

E o que está em pauta é a nossa relação com as redes sociais, com smartphones e uns com os outros. O que estamos nos tornando, e mais ainda: será que é essa a sociedade que queremos nos tornar?

Depois de assistir, muita gente deletou aplicativos, desativou notificações, e repensou de alguma forma a sua relação de (falta de) controle e vício com as redes sociais. Isso, por si só, já é positivo.

Mas se individuamente conseguimos tomar algumas ações para reduzir o efeito das táticas de manipulação, o documentário levanta também uma série de questões coletivas. E para essas a solução talvez esteja bem mais distante. São elas:

  • A ideia de que cada um pode ter a sua própria realidade dentro da sua bolha, então conversar e interagir ficam em segundo plano;

  • A necessidade urgente de termos o mínimo de um senso coletivo de verdade e fatos.

Isolados nas nossas bolhas e tomando como verdade aquilo que nos convém, estamos vivendo realidades diferentes ao mesmo tempo. A pandemia escancarou isso - o que mais explica, num mesmo ambiente, você encontrar uma pessoa de máscara passando álcool gel freneticamente, e outra tranquilamente desprotegida?

As plataformas vêm sendo cada vez mais cobradas por bloquear informações falsas e reduzir a disseminação de mentiras, mas é utópico pensar que seus modelos de negócios vão voltar atrás agora. Não que não sejamos todos um pouco reféns, mas ficar confortáveis nessa posição não vai mudar nada.

O tal dilema é a busca pelo que é verdade. Pelo que vai além da opinião ou da polêmica, pelo que todo mundo consegue ver e é incapaz de negar.

Verdade, visão, confiança. Não dá pra esperar uma inteligência artificial desenvolvida o suficiente pra fazer isso por nós. O grande “dilema das redes” é, no fim das contas, humano.

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PARA SABER MAIS SOBRE O TEMA:
O que fazer depois de O Dilema das Redes, enquanto usuário e enquanto designer.
O Facebook respondeu às acusações do documentário, e esse artigo analisa cada argumento.
“Sobre as realidades que vivemos”, uma análise sobre viver diferentes realidades coletivamente que publicamos em março.

a edição de hoje tem Dilema das Redes, Netflix, TikTok, Google, LGPD, Obvious E vaga de emprego. me diz onde mais você encontra tudo isso reunido em um só lugar?

manda praquele amigo que ainda não assina, tenho certeza que ele não sabe o que tá perdendo:

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Momento de Inspiração

A nova campanha global da Netflix, que constrói o conceito de que nós estamos todos “a uma história de distância” de coisas que não sabemos, ou nunca sentimos antes, e também uns dos outros. Em termos de imagem, a marca reforça a sua barra de progresso como asset e como elo de conexão entre as diversas histórias. O tipo de duplo sentido poético que a gente ama.


Caixa de Perguntas

(deixe aqui neste link sua pergunta sobre construção de marca, uma tendência recente, sobre newsletter ou estratégia de conteúdo, que toda semana uma delas será respondida)

Conta pra nós o que você acha das marcas dentro do Tik Tok?

Uma bela continuação do assunto de semana passada :)

Acho um território ainda pouco explorado pelas marcas, e tudo começa pela própria plataforma porque:

(1) o TikTok ainda não tem anúncios ou opera numa estrutura “tradicional” de mídia paga, o que dificulta que as marcas naveguem no seu modelo habitual, fazendo com que (2) aparecer no TikTok seja somente através de conteúdo nativo. E não é fácil pra uma marca criar conteúdo por lá.

Não é fácil por outros dois motivos:

1. É preciso ter uma “cara”, uma pessoa falando, dublando, dançando. Então se no Instagram ou Twitter um time de marketing ou uma agência conseguem produzir horas de conteúdo sem aparecer, no TikTok isso não é possível.

2. Não dá pra ter “cara” de propaganda. Para se destacar no TikTok, uma marca precisa se adaptar à linguagem e encontrar assunto com a audiência ali. Mesmo ao usar creators e influenciadores na plataforma, os melhores conteúdos são aqueles em que o produto é parte de algo maior - nada de “oi meninas tudo bom, vou falar pra vocês hoje da marca X que eu uso e amo muito..”.

Mas pra mostrar que é possível, alguns exemplos de marcas que têm feito coisas muito legais no TikTok:


O que ler/assistir/conferir

O Instagram fez dez anos de idade. E o jornalista Casey Newton fez uma entrevista bem interessante com a autora do livro “No Filter", Sarah Frier. Minha pergunta favorita:

Em qual universo alternativo você preferia viver?
A. Kevin e Mike nunca vendem a empresa e continuam a desafiar o Facebook como plataforma independente;
B. Kevin e Mike vendem para o Twitter, o Instagram se torna mais popular e nós temos um duopólio de redes sociais com o Facebook;
C. Kevin e Mike vendem para o Facebook, mantém sua autonomia até hoje e viram co-CEOs.

(eu adoraria ver como um cenário B teria sido)

O G Suite agora é Google Workspace. Com ícones novos. O Google Workspace é o conjunto de aplicativos voltados a trabalho e produtividade do Google. Os conhecidos Gmail, Google Drive, Google Calendar, entre outros, estão passando por um processo de aproximação - a ideia é que eles pareçam uma única experiência, conectada, com uma identidade visual consistente e elementos em comum.

G Suite agora é Google Workspace e traz mais interação entre serviços -  Gizmodo Brasil

LGPD em ação. A Justiça de São Paulo condenou a Cyrela a indenizar em R$ 10 mil um cliente que teve seus dados compartilhados com outras empresas depois de comprar um apartamento da construtora. Agora vamos imaginar um mundo em que todo e-mail que você recebe de uma empresa para quem nunca ofereceu seus dados render uma indenização.

Auto-ajuda nas redes sociais. Conteúdos com pegada motivacional, design impecável e milhares de compartilhamentos têm se tornado comuns nos feeds das redes sociais. A busca pelo bem-estar chegou de vez à rotina dos millenials através de posts, stories, podcasts e IGTVs. E também através da criatividade e pioneirismo de marcas como a Obvious Agency. Autocuidado é pop. Autocuidado é trendy. Autocuidado é conteúdo.


Manda jobs!

(se você tem vagas abertas e quer atrair gente boa e sempre ligada em novidades, pode mandar em beatriz@bitstobrands.com)

Todas as vagas que já chegaram até aqui estão reunidas neste link, e hoje destaco uma vaga de mídias sociais e conteúdo na Inventos Digitais.

A Inventos Digitais é uma empresa de educação e tecnologia, debruçada na missão de ajudar profissionais e empreendedores a entenderem mais sobre a tecnologia do nosso cotidiano, aplicar seus conceitos e formatos na vida pessoal e profissional e finalmente ir da ideia ao negócio no menor tempo possível. De dentro da Inventos já saíram startups como Biz, Witseed, Livima e Rupee, entre várias outras somando algumas centenas de milhares de usuários, e até projetos premiados!

Procuramos uma pessoa curiosa e desenvolta para contribuir com e cuidar da execução da nossa estratégia de conteúdo no Instagram e dar suporte para a produção do nosso podcast semanal #theCODE. Experiência com social media é imprescindível, familiaridade com termos da tecnologia e da programação é desejável, curadoria de gifs e memes será forte diferencial rs. Vaga remota!

Se você é essa pessoa e quer produzir conteúdo sobre tecnologia de um jeito simples e diferente, o pessoal da Inventos criou um formulário SOMENTE para quem veio através da Bits. É tipo um processo seletivo para a nossa comunidade. Será o seu momento de encontrar o job legal que estava procurando você? TOMARA! :)

Preencha suas informações aqui nesse link.


obrigada por ler até o final!
deixa um comentário contando o que mais gostou na edição de hoje? :)

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👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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