Bits to Brands #122 | O futuro do fitness

Tem uma bicicleta alugada no meio da minha sala.

Tempo de leitura: 6 minutos

O futuro do fitness

Tem uma bicicleta morando na minha casa. Uma “power bike”, pra ser mais exata. Que eu aluguei, num serviço novo de aluguel de equipamentos de exercício.

Se você me contasse, ano passado, que em março de 2021 eu ainda estaria isolada e a minha esperança de condicionamento físico seria depositada em uma power bike dentro de casa eu nunca ia acreditar. Mas cá estamos.

Surto quarentener? Muito provavelmente. Mas tem algo maior por trás disso também.

Uma mudança que vinha acontecendo aos poucos mas foi acelerada pela pandemia (mais uma): o futuro do fitness está se distanciando das academias, e se fazendo cada vez mais presente nas casas das pessoas. Será que tem volta?

A CB Insights falou que "a atividade física virtual se tornará cada vez mais especializada - e personalizada - nos próximos anos”. O presidente da Peloton acha que “é menos sobre a pandemia, e mais sobre a capacidade de entregar uma experiência melhor em casa”. E o CEO da Mindbody aposta em um futuro híbrido, em que as grandes franquias vão oferecer assinaturas que contemplam exercícios em casa e na academia.

Por aqui, o fascínio pelo produto e modelo de negócios da Peloton vem de longa data. Em outubro de 2019, na nossa edição #59, escrevemos:

Se você não sabe o que é uma Peloton, pare o que está fazendo para descobrir. Essa é a marca queridinha do universo fitness nos Estados Unidos, com crescimento assustador, valuation altíssimo e rumo a um IPO. Tudo isso pela sua capacidade de ganhar dinheiro vendendo bicicletas ergométricas estilosas e também uma assinatura mensal de vídeo aulas que aparentemente viciam as pessoas.

De lá pra cá, seguimos de olho. Em 2020, a marca atingiu a marca de 1 milhão de usuários e trouxe celebridades para dentro da sua plataforma de exercícios - com destaque para uma parceria com a Beyoncé. Recentemente, fez uma parceria com a Adidas também.

Muito antes da gente sonhar com uma pandemia que tornaria academias lugares de altíssimo risco de contaminação, a Peloton já apostava em um futuro em que fazer exercícios em casa era cool. Uma vez que isso se tornou o único normal possível, todas as marcas do segmento tiveram que se adaptar.

Com base nas novidades que surgiram e nas inovações que a Peloton trouxe, imaginar o futuro do fitness passa por quatro pontos:

1. MOBILIDADE

Treinar em casa, ao ar livre, na academia, perto de casa ou em outra cidade - treinar onde quiser. A experiência não pode mais ficar restrita a quatro paredes em um endereço fixo, ela tem que acompanhar as pessoas onde elas estiverem, de forma fácil.

A Body Tech, por exemplo, apostou as fichas no seu aplicativo BT Fit no último ano e viu o número de downloads crescer impressionantes 1.100%!

2. ASSINATURA

Quem frequentava academias já estava habituado com a lógica da mensalidade e dos planos. Com “assinatura” eles ganham não só o status de subscription economy, mas também mais flexibilidade.

São diversos modelos: tem combinações de equipamentos físicos + aulas online, como a Peloton e a Tempo; tem assinaturas de aulas online que requerem equipamento ou não; tem assinaturas de redes de academias e até assinaturas que combinam de tudo um pouco, como o Gympass.

3. DADOS

Treinar em casa, com o apoio de vídeos ou equipamentos conectados, aumentou a capacidade de acompanhar o próprio desempenho. Seja por coisas simples, como conferir o seu histórico na plataforma e ver quantos treinos já assistiu, seja com a ajuda de wearables que acompanham diariamente calorias gastas.

Os equipamentos conectados também já estão usando inteligência artificial para monitorar os exercícios. Com tanta tecnologia e gamificação, treinar sem acompanhamento algum logo vai ser coisa do passado.

A Tempo vem com uma câmera ensinada a monitorar os movimentos, para garantir que eles estejam sendo feitos corretamente. É um armário-personal trainer-robô-academia.

4. COMUNIDADE

Por último, mas não menos importante. Atividades físicas, por mais que sejam realizadas individualmente, tem um forte elemento de socialização. Seja a motivação mútua, seja as conexões que surgem pelo interesse em comum por alguma modalidade.

Mas treinar em casa não significa treinar sozinho. A Peloton, por exemplo, tem uma programação que mostra quantas pessoas estão treinando juntas naquele momento.

E não podemos esquecer as influenciadoras, que naturalmente reúnem comunidades em torno de si e mais recentemente dos seus "challenges”. Busque a hashtag #chloetingchallenge no TikTok e você vai se deparar com 580 milhões de visualizações em vídeos de garotas que toparam os mesmos desafios e estão compartilhando sua trajetória e resultados.

Será que elas sentem que estão sozinhas nessa?

Com mais ou menos tecnologia, maior ou menor investimento, sozinhos ou em grupo, em casa ou na academia: seguiremos em movimento, mas talvez de forma bem diferente do que antes.

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Para saber mais sobre o tema:
- Não deixe de conferir a página da Apple Fitness+, que é a síntese desse novo fitness;
- Sobre a Tempo: confira matérias da FastCompany e da The Verge;
- Sobre a Peloton: esse artigo da Tech Crunch é pré-pandemia mas muito completo, e a última edição da publicação No Corre explicou de forma bem didática, em português.

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Momento de Inspiração

“You're not a bot. Don't date like one”. A Jose Cuervo partiu do insight de que as pessoas estão interagindo de forma cada vez mais robótica quando o assunto é conhecer alguém novo. E pra provar, colocou dois robôs num encontro. Enquanto a vida social acontece em sua maior parte por troca de mensagens, é fácil se deixar levar pelo automático. Mas quando voltarmos a interagir pessoalmente, vai ser preciso charme, química e jogo de cintura - coisas que robôs (por enquanto) não têm.


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Por exemplo: se você envia uma newsletter em que todo o conteúdo está no corpo do e-mail, a taxa de abertura será mais relevante do que a taxa de cliques. Mas, se a sua newsletter é pautada por recomendações de conteúdo em outros lugares, a taxa de cliques vai te mostrar se a sua audiência realmente se interessa por aquilo que você está recomendando.

Na Bits, eu sempre procuro acompanhar os links mais clicados de cada edição, pois eles me indicam os conteúdos que foram mais relevantes para vocês. Além disso, eu procuro valorizar mais a relação cliques versus e-mails abertos do que cliques versus base total, porque ela me mostra se quem leu o e-mail achou as indicações interessantes :)


O que ler/assistir/conferir

Um Clubhouse pra chamar de seu: O Facebook quer um. O Spotify quer um. O Twitter quer um. O Slack quer um. Até o LinkedIn quer um. Conforme cada plataforma vai criando a sua sala de áudio, o Clubhouse perde o status de rede social e se torna uma feature. Será que consegue seguir pelas próprias pernas, ou será incorporado em breve?

Sobre esse assunto, dois tweets que são o que você precisa ler:

Luz no fim do túnel. Pelo menos nos EUA, onde em muito breve todos os adultos terão a oportunidade de se vacinar. O Google fez um vídeo muito bonito para celebrar e incentivar a vacinação, e dar as boas vindas de volta à “vida anterior”. Por aqui, seguimos sad and brazilian.


Final notes

Hoje a curadoria foi mais curta, porque a tendência rendeu bastante imagens e links. Aqui a gente não só reúne o conteúdo, mas busca equilibrar as seções. Montar newsletter é arte e ciência também :)

Enquanto você lê esse texto, eu provavelmente estarei testando a experiência de treinar em casa. Se eu não largar tudo para virar blogueira fitness (ha ha), a gente volta nesse assunto um dia.

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com

obrigada por ler até o final, e não esqueça de compartilhar :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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