Bits to Brands #108 | O futuro do Instagram

Um de produtos e gurus, certamente bem diferente do passado que o trouxe até aqui.

Tempo de leitura: 6 minutos

Não, você não perdeu nada. Na semana passada não teve newsletter, pois eu estava concluindo o curso de Brand Strategy do prof. Scott Galloway e dediquei o tempo a isso. Ter aula ao vivo com um dos meus ídolos foi sensacional, e tem muito do curso que eu pretendo trazer para cá :)

Mas hoje, vamos falar de Instagram. E da tendência de vender conteúdo pelo Instagram. E de como o branding tem sido vítima do excesso disso. Tudo no mesmo texto.

Tá confortável? Pegou o café? Então vamos lá.

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com :)

O futuro do Instagram

Essa é uma das primeiras fotos que eu postei no Instagram, em agosto de 2012. Para ilustrar o quanto não fui só eu que evoluí muito desde então - a plataforma também.

A post shared by Beatriz Guarezi (@beatrizguarezi)

Oito anos atrás, o Instagram era sobre fotos e filtros. Sobre o jeito mais esteticamente interessante de ilustrar o seu dia a dia e acompanhá-lo de hashtags como “#sushi #coffee #love #friendship".

Não demorou muito para se tornar o lugar para acompanhar a vida (filtrada e editada) dos outros. Aí vieram os algoritmos, os influenciadores, as marcas, as mensagens, os criadores de conteúdo, os Stories, os reels e, agora, as compras.

Na sua atualização mais recente, o Instagram mudou seus botões de navegação, e a análise da Agência Gorilla foi perfeita: “A semiótica de tirar um coração (relacionamento) e inserir uma sacola (compras) fala muito sobre os próximos passos da plataforma”.

Agora é oficial: o lugar de postar fotos e interagir está virando lugar de vender. Vender produtos e também vender a si mesmo, trabalhando bem a sua marca pessoal para se mostrar especialista, consultor, produtor de conteúdo, guru (ou todas as anteriores) em algo.

Existe uma tendência de cada vez mais pessoas criando perfis para ensinar outras pessoas a criar perfis, num loop infinito. E no processo, sumiram do Instagram as selfies, as fotos de sushi e copos do Starbucks. Elas deram lugar a análises, dicas, listas, textos e carrosseis de todo tipo.

O investimento em negócios digitais e na monetização de quem se é não é de hoje. A famosa “fórmula de lançamento” já era comentada em 2018. Mas a sensação ao frequentar a plataforma é de que a pandemia acelerou isso, e um número interessante comprova:

Segundo o UOL, só em abril de 2020 a Hotmart (marketplace de produtos digitais) cresceu 176%. Hoje, são 20 milhões de usuários e 200 mil dos chamados infoprodutos cadastrados.

A grande vitrine desses produtos? O Instagram.

A plataforma virou um shopping de produtos e de conteúdos, com milhões de pessoas e marcas adaptando fórmulas para driblar os algoritmos e fazer com que você clique no tal ~link na bio.

Em algum momento nesse processo, saber vender se tornou mais importante do que saber o que se vende. Em meio a tanto conteúdo, tanta tática, tanta gente, você precisa ter ~uma marca forte no Instagram. E aí, construir marca vira sinônimo de “quantos stories fazer por dia pra driblar o algoritmo”.

Só que o Instagram é um MEIO de construção de marca, e não um fim.

Construir marca é anterior, é estratégico, é sólido. É quem você é, o que você tem a oferecer e como dar vida a isso em diversos formatos - de editorias de conteúdo a rituais, passando por produto, experiência, símbolos, associações...

Eis uma distinção importante a se fazer, porque tem muito “especialista em branding” no Instagram que na prática ensina táticas de conteúdo, marketing digital e vendas. Tudo é relevante, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Uma marca forte não se resume a atingir X mil seguidores.

A banalização do branding é só a ponta do iceberg de uma rede social que evolui rumo a um ambiente com mais gente querendo ensinar e vender do que disposta de verdade a aprender.

O questionamento que fica é se é possível parar essa roda. E não só: será que é possível mudar o sentido?

Voltar atrás, até retornar aos bons tempos em que o Instagram era mais sobre #tbt e #saudadesparis do que “Cinco lições que você pode aprender com a série Emily in Paris”?

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PARA SABER MAIS SOBRE O TEMA:
Do UOL Tab, uma análise sobre “gurus do marketing”
No nosso report de tendências para 2020, confira a número 3 - Economia do Conteúdo

Sei que esse assunto é controverso, então hoje o que eu mais queria era que a gente continuasse a conversa.

Então, te convido a compartilhar nas redes sociais com a sua opinião, ou deixá-la nos comentários por aqui. Ou, claro, ambos! :)

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Momento de Inspiração

A post shared by Sallve (@sallve)

Há alguns meses, falamos aqui na Bits sobre a diferença entre marcas que se tornam rituais versus marcas que permanecem somente como hábitos na vida das pessoas (se você perdeu, leia o artigo). Quem vem fazendo um trabalho brilhante de “ritualizar” a sua marca é a Sallve: do conteúdo nas redes sociais à simplicidade da faixinha no cabelo para momentos dedicados a skin care e autocuidado.


Caixa de Perguntas

(deixe aqui neste link sua pergunta sobre construção de marca, uma tendência recente, sobre newsletter ou estratégia de conteúdo, que toda semana uma delas será respondida)

Como começar do zero uma construção de marca no Instagram e em e-mail marketing?

Obrigada pela pergunta que ajudou a inspirar a edição de hoje :)

Espero ter trazido um pouco de clareza para o fato de que “construção de marca” e “no Instagram” são coisas distintas.

Agora, uma vez que você passou por um processo de branding, tem clareza da sua marca e da sua estratégia*, e quer fortalecê-la com a ajuda do Instagram, recomendo: Branding Lab (para produtos ou serviços) e Thálassa Coutinho (para marcas pessoais).

*No processo de construção de marca, existem inúmeras metodologias que servem de guia. Algumas das minhas referências são: Brandster, Paulo Lima e Ana Couto.


O que ler/assistir/conferir

O rebranding dos Estados Unidos. Uma das maiores marcas do mundo está prestes a mudar drasticamente sua personificação, sua linguagem e a sua experiência. Para quem gosta de branding e de política, essa análise da FastCompany está imperdível.

Professores no TikTok. Como uma das professoras entrevistadas nessa matéria disse, “é preciso ir onde o aluno está”. E assim, conforme os alunos aprendem o conteúdo, os professores aprendem as dancinhas. Inclusive, uma das minhas tiktokers favoritas é essa professora de inglês, que me alegra tanto quanto ensina :)

O teste do “embaraçar”: Desde a mudança dos ícones do GSuite para as mesmas cores e formatos tão parecidos que ficou muito difícil diferenciar as abas, todo tipo de análise usabilidade versus branding foi feita. Essa é a minha favorita.

Deem uma olhada, abaixo, no que acontece quando os principais ícones de aplicativos são colocados lado e lado e depois “borrados”. A explicação tem a ver com carga cognitiva e a batalha pela nossa (já escassa) atenção.

Um spoiler. Semana que vem tem convite oficial (e cupom de desconto) ;)


Manda jobs!

(se você tem vagas abertas e quer atrair gente boa e sempre ligada em novidades, pode mandar em beatriz@bitstobrands.com)

Todas as vagas que já chegaram até aqui estão reunidas neste link, e hoje temos um desafio, mas eu acredito que essa comunidade que logo vai bater DEZ MIL pessoas já tem variedade suficiente para isso.

Tem alguém de contabilidade por aí? :)

Uma assinante e o seu escritório estão em busca de alguém que busca oportunidades na área contábil. Contador (e pode ser estudante também!), que segue a news, ame contabilidade, goste de home office e tecnologia. A vaga é CLT, e o contato para vender seu peixe é: contato@continuwa.com.br

Além disso, a Liv Up está com uma vaga aberta para alguém que entenda tudo de CRM, réguas de relacionamento, segmentação, e-mail marketing e as métricas em volta de tudo isso. Se você é essa pessoa, inscreva-se para a vaga aqui.


obrigada por ler até o final! :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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