Bits to Brands #124 | O áudio chegou ao Facebook - ou vice-versa

Notas em áudio, conversas em áudio, podcasts. O Facebook quer tudo.

Tempo de leitura: 6 minutos

Desde que o Clubhouse dominou todas as pautas de tecnologia e comunicação no Brasil (em fevereiro, mas parece que faz um ano), a nossa maior especulação é se o boom do áudio ia representar uma descentralização da vida social-virtual, ou se era só questão de tempo até tudo morar no Facebook:

O primeiro grande desafio ao Facebook foi o TikTok - vídeos curtos, dinâmicos, com música. Nos últimos meses, o Substack - textos longos e interação por e-mail. E agora, o Clubhouse - conversas em áudio sem hora para acabar.

Ou seja, será possível uma única plataforma abrigar tantos tipos diferentes de interação?

Chegou a hora da gente descobrir.

O Facebook anunciou essa semana diversas novidades em relação à audio. Chamar de “cópia do Clubhouse” é um resumo ruim para dizer o mínimo, porque tem muito mais aqui.

As features são:

1) Sound Studio

Um editor de áudio dentro do aplicativo do Facebook, que vai permitir que você limpe ruídos e coloque efeitos nos seus áudios. Segundo eles, “é como um filtro de câmera, só que para áudio”. Aqui tem um vídeo que mostra como ele vai funcionar.

[ uma pausa pra gente refletir sobre os efeitos comprovados dos filtros na autoestima das pessoas e pensar que agora essa pressão por ser perfeito vai atingir também as nossas vozes ]

2) Sound Bites

Um formato novo: pequenos trechos de áudio com os quais as pessoas podem interagir. É comparável com tweets em áudio - que o Twitter lançou há quase um ano e, pelo menos na minha timeline, não pegou.

3) Salas de conversa em áudio

Elas sim, seguindo a exata mesma lógica (e até visual) do Clubhouse. A vantagem aqui está nos dois assets em que o Facebook mais vem investindo nos últimos anos: Grupos e Messenger.

Essa é a única rede social em que as pessoas já estão agrupadas conforme interesses em comum sobre os quais elas podem conversar durante horas - é só oferecer o espaço. Além disso, as salas estarão disponíveis via Messenger para ligações em grupo (o que significa que a feature irá se tornar o padrão no Instagram e no Whatsapp também).

4) Podcasts

Até eles. Segundo o Facebook, “170 milhões de pessoas já acompanham páginas de podcasts, e 35 milhões são membros de grupos sobre podcasts. Até agora, elas tinham que sair do aplicativo para ouvir os episódios”. Mas olha o problemão (ironia) que não vai mais existir.

O aplicativo do Facebook agora vai ter uma seção dedicada a podcasts, onde você vai poder dar play, seguir, curtir, comentar e compartilhar episódios - tudo no mesmo lugar. E os creators vão ganhar aquela ajuda do algoritmo para aparecer em timelines que ainda não os conhecem.

Minha aposta é de que essa feature vai começar bem liberal e entregando muito alcance e interação para os creators que quiserem testá-la, mas não vai demorar para que o Facebook comece a priorizar podcasts gravados diretamente na sua plataforma em detrimento de outros que moram em outros agregadores. Ao melhor estilo: vídeos com marca d'água do Tiktok não são bem-vindos no Reels.

E tem também

Acessibilidade, que foi um dos grandes deslizes do Clubhouse, está presente na estratégia do Facebook desde o primeiro release, que menciona legendas para toda a sua experiência em áudio.

Além disso, a monetização também já está incluída, no formato de assinaturas recorrentes ou salas com ingresso para participar.

Em resumo:

O Facebook pegou o que o Clubhouse trouxe de melhor, se antecipou ao que ele teve de dificuldade, entrou também na disputa pela audiência de podcasts e fez tudo isso jogando com as forças da sua própria plataforma.

Eles só entram pra ganhar.

Mas a reflexão que fica é: se os últimos cinco anos nos ensinaram qualquer coisa, o que a gente tem a perder num mundo em que mais uma forma de expressão, conteúdo e modelo de negócios se torna “propriedade” do Facebook?

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Momento de Inspiração

Se você ainda não conhece essa marca, conheça essa marca. Aff the Hype é referência de posicionamento, produto, conteúdo e comunidade. Da Moça do Marketing aos cadernos que certamente vão te fazer sorrir (se você tiver um senso de humor ranzinza), acompanhar o trabalho deles é garantia de inspiração.

Isso não é publi, mas bem conversadinho eu troco conteúdo por cadernos. <3

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oi Bia! algum curso que você fez e indica? especialmente para quem trabalha com marketing, mas não fez faculdade de comunicação

Mais do que recomendar um ou outro curso, acho que quando o assunto é marketing é preciso ter clareza da habilidade ou da ferramenta que você precisa dominar. Porque são muuitas alternativas, especialmente se você não estudou comunicação antes.

Às vezes uma vaga mais analítica de marketing pede cursos específicos de SEO ou analytics, enquanto uma posição mais criativa se beneficiaria de cursos de planejamento e estratégia.

Assim, posso te recomendar escolas com as quais já tive contato e confio: Miami Ad School, Tera, Gama Academy, Alura e PM3.

Agora quanto ao curso em específico, avalie conforme o seu momento de carreira e objetivos ;)


O que ler/assistir/conferir

Soulmates, na Amazon Prime. É uma série que se passa num futuro próximo, em que existe um teste capaz de apontar quem é a sua alma gêmea. Cada episódio retrata os efeitos dessa inovação em diferentes casais. Em termos de entretenimento, os dois primeiros são muito bons e depois dá uma caída. Mas é muito interessante de assistir com esse olhar do efeito real de uma nova tecnologia na vida das pessoas.

Marcas de beleza no mundo dos games. Matéria da Elle, cheia de dados e exemplos, sobre por que marcas de beleza têm investido cada vez mais no universo dos jogos. Spoiler: o público “gamer”, que muitos tendem a imaginar como um jovem branco em frente a um teclado luminoso, é 51% feminino no Brasil. Esse movimento está explicado também no nosso report de tendências 2021.

Avon tá ON. Mas e a revendedora? É impressionante o reposicionamento e a estratégia de comunicação que a Avon tem feito, especialmente em volta do BBB. Mas compartilho da reflexão do Paulo Vieira:

As marcas mais influentes do Brasil são marcas de tecnologia. O top 5, pelo menos, segundo pesquisa da Ipsos que leva em consideração: Inovação, Confiança, Presença, Responsabilidade Social, Engajamento e a dimensão estreante Covid-19, que avalia o desempenho das marcas durante a pandemia.


Masterclasses

Além de newsletter, a Bits agora é também sala de aula. Vamos formar diversas turmas para trocar experiências e aprender diferentes temas. Essa seção passa a ser fixa por aqui, para avisar sempre de turmas abertas e futuras. :)

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Foi oficialmente lançado este novo modelo para nós, e a primeira turma para a Masterclass de Curadoria de Conteúdo fechou em 48h (!!!).

Aproveito para reforçar que as turmas serão pequenas pois um pilar importante das nossas salas de aula é a TROCA. A ideia é abrir quantas turmas for necessário enquanto tiver gente afim de aprender, e aos poucos a gente vai se conhecendo.

Por isso, vai ter outra turma ainda em maio. Vai funcionar assim: existe um formulário aqui nesse link. Quem estiver inscrito lá, recebe os detalhes primeiro. Depois eu divulgo aqui na newsletter.

Então se inscreva e fique de olho para aprender como estruturar uma estratégia e boas ferramentas para curadoria de conteúdo comigo.


Final notes

Falando em ficar de olho, já estão previstas masterclasses sobre Branding e também sobre Newsletter. E se tiver algum outro tema que você gostaria de se aprofundar e acha que eu posso ajudar, me manda um e-mail com a sua sugestão que se tem uma coisa que eu gosto é sala de aula. Quanto mais, melhor. :)

Outra coisa que eu gosto é feriado na quarta, para poder fechar edições com calma. Multiplica os feriados na quarta!

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com

obrigada por ler até o final, e não esqueça de compartilhar :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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