Bits to Brands #118 | A popularização da Alexa

Quase dois anos depois da sua chegada no Brasil, ela agora tem um hit nas paradas para chamar de seu

Tempo de leitura: 6 minutos

A popularização da Alexa

Uma das coisas que mais me fascina (e um dos motivos pelos quais a Bits começou também) é como novas tecnologias passam a fazer parte da vida das pessoas.

Algo que até ontem simplesmente não existia no mundo se apresenta, convence, encanta, é vendido e usado a ponto da gente não lembrar mais da vida como era antes.

Existe um gráfico clássico que é o do “ciclo de adoção de novos produtos”. Ele mostra que, basicamente, um produto começa pelos inovadores e os early adopters, mas para atingir a maioria precisa cruzar um abismo. Gostei dessa referência aqui:

O que conecta essa teoria à prática (e à nossa edição de hoje), é a Alexa e o que parece ser a sua recente popularização.

Ela chegou oficialmente no Brasil em outubro de 2019. Na época, escrevemos este artigo, já levando em consideração os desafios da curva de adoção:

Temos um cenário em que a Alexa está nas casas, mas o Google está no celular. E ambos ainda tem que provar o seu valor para milhões de brasileiros, para cruzar a linha dos “early adopters” e alcançar a proporção que tem nos Estados Unidos.

Aí é que mora o desafio. Porque num país com a nossa dimensão e variedade de perfis socio-demográficos, é difícil ser mainstream.

Vai ser muito interessante observar, daqui para frente, como essas marcas vão fazer parecer não só desejável, mas normal ter um assistente no meio da sala ou da cozinha.

De lá pra cá, teve marketing - bastante, aliás. Teve campanha com música do Lulu Santos, ação de lançamento da Anitta e até Alexa no bloco de carnaval (em 2020..).

Teve também uma pandemia e o aumento do interesse por utilidades para a casa, que além de um smart speaker incluíam aspiradores-robô e air fryers. Isso, junto com ações promocionais e novos lançamentos, inseriu a Alexa no dia a dia de cada vez mais casas.

Não há números exatos de quantidade de Alexas no Brasil, mas em um ano de vida as interações bateram os milhões. Por exemplo, 9 milhões de "que horas são”, 8 milhões de “cante uma música” e 4,5 milhões de "conte uma piada".

E aí, para dar ainda mais força à hipótese de que a Alexa “cruzou o abismo” de vez, em 2021 ela ganha um hit sertanejo para chamar de seu, cortesia de Wesley Safadão.

Aparentemente não é uma ação publicitária da Amazon, e sim uma iniciativa criativa dos artistas. Seja como for, em um mês o clipe oficial já foi visto mais de 5 milhões de vezes - e a cena de abertura é o cantor com um Echo Dot na mão perguntando “Alexa, o que é que vem por aí?”.

Não é nem de longe meu estilo de música, mas é exatamente o tipo de ação que eu gosto de ficar de olho. Porque se até recentemente a gente falava em Alexa dentro da bolha, essas 5 milhões de pessoas que foram expostas à tecnologia através do Wesley Safadão são um universo estendido para muito além do nosso. E agora a Alexa passa a ser assunto por lá também.

A bolha estourou. Agora é ficar de olho no que a chegada à “maioria” vai trazer para a Alexa como produto e como parte da cultura, e para nós como inspiração - e tentar tirar esse refrão da cabeça.

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Momento de Inspiração

A Nivea lançou o novo propósito global da marca: “care for human touch to inspire togetherness”. A marca quer ressaltar a importância do toque humano para as relações, e também para a saúde. Ela vai fazer isso através de conteúdo, e lançou recentemente uma pesquisa global sobre o impacto do toque. Tem alguns dados sobre o Brasil: 78% dos brasileiros gostariam de ser abraçados mais vezes, mostrando que sentimos mais falta do toque físico do que outros países. :(

É interessante esse case de uma marca que se reposicionou de forma definitiva pós-pandemia, com base em comportamentos acentuados pelo isolamento. Não há de ser a única.


Caixa de Perguntas

Um espaço pra opinar mais livremente, falar mais da minha experiência, o que tem por trás da Bits e, claro, como eu posso ajudar por aí. Deixe aqui neste link sua pergunta sobre construção de marca, uma tendência recente, sobre newsletter ou estratégia de conteúdo, que toda semana uma delas será respondida :)

Oi Bia! Você pode falar sobre formas de metrificar campanhas com objetivo de construção de marca? Como elas nem sempre têm formas tão padrão de serem metrificadas (como campanhas com foco em performance, por exemplo, tem), eu adoraria saber como outros profissionais metrificam as suas.

Eis a pergunta de um milhão. Se alguém tiver a resposta, por favor me escreve no beatriz@bitstobrands.com porque tá aí um bench que eu quero fazer!

Esse ponto é tão debatido porque não existe uma fórmula que vale para todas as marcas, e também porque é muito difícil isolar o efeito do branding. Uma marca forte, com a qual as pessoas se identificam, tende a ter mais engajamento do que uma marca sem personalidade. Mas engajamento depende também de uma boa estratégia de conteúdo e canais.

Então acho que o segredo está em buscar métricas que possam ser compartilhadas com branding, porque são aquelas que representam sucesso para a marca como um todo.

Por exemplo: o Nubank é uma marca conhecida por ser simples e sem burocracia. O principal reflexo disso está na experiência dos clientes, tão satisfeitos que se tornam fãs. Uma das principais marcas para medir o sucesso disso é o NPS. Claro que ele é afetado pelo produto e pelo atendimento, mas pode ser um indicativo de que a marca está indo na direção certa.

Certamente vai variar de marca para marca, mas eu começaria olhando para métricas que falem sobre engajamento, experiência do cliente e awareness dentro do seu negócio, e evoluiria a partir daí.


O que ler/assistir/conferir

O dia que o Brad Pitt chegou ao Clubhouse. Ou quase. Vale muito a pena ler essa entrevista com o cara que entrou no Clubhouse com um fake do Brad Pitt só pra brincar, e foi levado a sério por HORAS numa conversa que atraiu milhares de pessoas.

Redes sociais de áudio. Ainda no assunto, essa análise da Wunderman Thompson traz mais detalhes sobre essa tendência, mencionando outras plataformas além do Clubhouse. Segundo eles, “a chegada a estes novos espaços pode ser resultado de um desejo de uma interação online mais profunda”.

A pandemia é o fim das amizades casuais? Alerta gatilho: se você sente falta do contato com as pessoas, esse texto vai dar aperto no coração. Mas é MUITO real essa análise da The Atlantic sobre como tem relações que se perderam e correm o risco de jamais serem substituídas. Aqueles amigos que a gente adorava encontrar em contextos específicos, mas que não são íntimos o suficiente pra fazer video-chamada o tempo todo.

Aliás, sobre amizades pós-pandemia, poucas coisas resumem melhor do que essa imagem:

Mais uma sobre Alexa. Só pra gente fechar com o assunto de hoje, quanto mais populares ficarem as Alexas, mais vídeos assim se tornarão comuns:


Final notes

A edição de hoje tá meio bagunça, mas aquela bagunça que eu gosto. Gráficos, IA, Wesley Safadão, Nivea, métricas de branding, Clubhouse, amizades, tudo no mesmo lugar. É muito legal ter um espaço pra trazer um pouquinho de cada coisa que me fascina - por mais que à primeira vista elas pareçam distantes.

Espero que você tenha gostado de ligar esses pontos por aí :)

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com

obrigada por ler até o final, e não esqueça de compartilhar :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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