Bits to Brands #115 | A vez das newsletters

Será 2021 o nosso ano?

Tempo de leitura: 6 minutos

A vez das newsletters

Nos últimos dez anos, não têm faltado veículos e especialistas para afirmar que o e-mail morreu (jogue “e-mail is dead” no Google e você vai ver).

O Slack matou. O Whatsapp matou. A geração Z matou. Seja qual for a causa mortis, “morreu” - eles disseram. E agora, ao que tudo indica, vão ter que começar a se retratar.

Tudo isso graças ao formato que a gente compartilha toda semana - a newsletter.

A primeira edição da Bits to Brands foi enviada em junho de 2018, e de lá pra cá:

  • O Substack recebeu um investimento de 15 milhões de dólares (2019);

  • O LinkedIn lançou uma feature de newsletters dentro da sua plataforma (2020);

  • A newsletter Morning Brew teve o seu valor avaliado em 75 milhões de dólares (2020);

  • A Forbes lançou a sua plataforma de newsletters, que vai permitir que jornalistas ganhem dinheiro com assinatura (2021)

  • O Twitter comprou a Revue, plataforma de newsletters, e cortou a taxa pela metade para incentivar criadores a monetizarem sua audiência por ali (2021)

  • A Hubspot comprou a newsletter The Hustle (ONTEM)

  • E por fim, parece que o Facebook também está ~~~criando~~~ a sua própria versão de uma plataforma de newsletters.

Vocês lembram quando o Facebook copiou os Stories e isso foi anúncio de que era algo grande? Então, agora ele quer copiar o Substack.

2021 vai marcar a chegada oficial das grandes plataformas e empresas de mídia a um dos últimos lugares tranquilos da internet. E agora?

O crescente interesse nas newsletters mostra que o conteúdo escrito segue relevante.

Mostra também que muita gente ainda busca se informar e interagir na calmaria da caixa de entrada, ao invés de no caos da timeline e seus algoritmos, anúncios e excessos.

O crescimento das newsletters é uma grande validação desse “nosso lado” da internet, de maior profundidade e de construção de relacionamentos através da consistência e da atenção.

E o aparente “despertar” para o valor dessa mídia que muitos achavam antiquada e esquecida agora vai trazer muita gente nova para cá.

Será o “assine a newsletter” o novo “arrasta pra cima”?

É preciso ir com calma.

Não dá para chegar em uma mídia nova pelo hype e depositar nela as mesmas expectativas de outros canais (na verdade, se for para chegar só pelo hype volte duas casas na sua estratégia).

Não dá para pegar um canal cujo grande valor é a proximidade e querer que ele te gere “6 em 7”.

Não dá para conectar esse ambiente mais privado e tranquilo das nossas vidas digitais com todos os contatos do Facebook, puxar posts do feed do Instagram, anexar Reels, colocar um botão de compra e criar um algoritmo que faz curadoria (essa é para você, Zuckerberg).

Como a gente concluiu lá atrás, na edição #46:

A hora da newsletter vai chegar desde que o formato seja respeitado em todas as suas particularidades, e não invadido pelas métricas convencionais ou pela necessidade (cada vez mais ultrapassada) do mega alcance.

Que a gente atinja o ponto ótimo do escrever com atenção e cuidado, de marcas que queiram participar de conversas de qualidade e como resultado tenha pessoas se sentindo sempre atualizadas.

A gente tem uma mídia sensacional nas mãos. A primeira de todas, que sobreviveu até aqui, e não deixa dúvidas de que vai seguir se reinventando nas nossas caixas de entrada.

É sensacional que mais conteúdo e marcas estejam marcando presença em cada vez mais caixas de entrada.

Mas que a gente saiba preservar o grande valor desse formato - e de qualquer conteúdo de qualidade: a atenção.

Prometo seguir fazendo a minha parte para isso.

Mais sobre o tema de hoje:

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Momento de Inspiração

Está sendo bem legal acompanhar o processo de uma marca icônica se assumindo como icônica. Primeiro com o rebranding, ano passado, que fortaleceu o formato do rótulo e unificou todos os produtos sob o mesmo “escudo”. Agora, com uma campanha que mostra que Heinz se tornou sinônimo de garrafa de catchup. Uma história de 150 anos que vem ganhando relevância através de ações de construção de marca.


Caixa de Perguntas

Um espaço pra opinar mais livremente, falar mais da minha experiência, o que tem por trás da Bits e, claro, como eu posso ajudar por aí. Deixe aqui neste link sua pergunta sobre construção de marca, uma tendência recente, sobre newsletter ou estratégia de conteúdo, que toda semana uma delas será respondida :)

Amei sua news, Bia! Qual sua dica para quem (assim como eu) precisa escrever news com uma linguagem leve (próxima da conversa) no trabalho? E outras referências de news que você conhece :)

Tem uma ótima frase da Ann Handley que é “uma newsletter precisa ser metade news (notícias), metade letter (carta)”. É essencial achar um espaço para trazer personalidade e proximidade. Ah, e outra dica é que as pessoas são muito mais que seus interesses corporativos; não tenha medo de testar outros assuntos :)

Sobre referências: recentemente fiz as contas e percebi que assino umas 20 newsletters. Já que a pauta é linguagem leve e próxima, eis aquelas que eu acho que se destacam nesse sentido:

  • Girls Night In, newsletter semanal sobre autocuidado. É incrível como você se sente próxima e acolhida ao ler, o que é bem a proposta delas.

  • Seth Godin, que manda pílulas diárias sobre marketing, estratégia, conteúdo, carreira.. Tem vezes que são textos, outras que são três frases, e sempre vale a pena ler.

  • 3 -2-1, do James Clear, que toda semana abre seus e-mails prometendo “a maior taxa de sabedoria por palavra de qualquer newsletter na internet” - e entrega.

  • Tira do Papel, que escreve uma news curta e super objetiva duas vezes por semana, no equilíbrio ideal entre leveza e profundidade.


O que ler/assistir/conferir

O texto que todo criador de conteúdo precisa ler. Especialmente aqueles que estão cansados de correr atrás da plataforma “da vez”. Segundo Seth Godin, só tem uma solução: Publique. Consistentemente. Com paciência.

O fim da era Bezos. Vale a pena ler o e-mail de despedida de Jeff Bezos aos funcionários da Amazon. O trecho que mais me chama atenção é quando ele fala de “inventividade” e de fazer "coisas loucas juntos, e depois transformá-las em normais”. Destaco também essa análise do Scott Galloway:

Anywhere Office. Como uma marca com espírito de praia pode falar sobre praia em uma pandemia? Explorando o desejo de tanta gente de estar trabalhando na beira da praia. A Corona se juntou à Box1824 e fez um estudo completo sobre essa tendência - além de uma promoção que vai realizar esse desejo para algumas pessoas.

O novo lançamento da Nike, o tênis que você não precisa usar as mãos para calçar, aparentemente foi um pitch do Jimmy Fallon em 2019. Além do produto incrível, o vídeo dele contando a sua história com a marca é bem legal:


Final notes

No fim eu estou bem animada com todo o "agito” no mundo das newsletters. Vai ser muito legal poder dizer daqui a um tempo que estava aqui desde que era mato rs e é um orgulho imenso cada vez que alguém começa a sua própria news e vem contar que se inspirou na Bits. Podem vir, que esse lado da internet vale muito a pena :)

PS: Depois de dezenas de edições e centenas de vagas compartilhadas, descontinuei a seção de vagas. Espero que tenha ajudado em pontes e recolocações durante o ano de 2020. Esse ano tem outras novidades :)

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com

obrigada por ler até o final, e não esqueça de compartilhar :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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