Bits to Brands #113 | Casa de Cartas

A casa caiu. E agora?

Tempo de leitura: 5 minutos

Casa de Cartas

Em março de 2020, escrevi um artigo sobre as diferentes realidades em que estamos inseridos.

No mesmo tempo-espaço, com as mesmas leis, os mesmos fatos, vivenciando exatamente a mesma realidade física, somos capazes de ter como “mundo real” unviersos completamente diferentes, com base no que acreditamos.

Isso, por si só, já é um aspecto comportamental fascinante. E aí acrescentamos as redes sociais e a sua capacidade de transformar qualquer coisa em realidade compartilhada se tiver compartilhamentos suficientes nas redes sociais.

E a gente vai deixando, e vai até se divertindo, vai observando e tentando esclarecer aqui e ali aquele conhecido que acha que vai virar jacaré se tomar vacina, ou que é tudo uma grande conspiração. Porque é inofensivo, né? É uma corrente de zap, ou um maluco no Twitter, a gente vê uns 10 por dia e nunca deu em nada..

Até que deu.

Nos últimos dias, o mundo assistiu em choque à desinformação, o extremismo e o comportamento de manada que as redes sociais alimentaram por anos ganharem vida. Quase como naqueles filmes dos anos 90, em que o monstro saía da tela da TV e entrava na sala de casa.

Foram anos de artigos, documentários, denúncias constantes sobre o impacto das plataformas na política e na sociedade, e mesmo assim chegamos nesse ponto.

Agora o foco é evitar de todas as formas que novos episódios de violência e incivilidade aconteçam nos próximos dias. E aí quem chegou pra salvar o dia? Ele mesmo, Mark Zuckerberg.

Tomando a medida que todos seguiram logo após, ele bloqueou a conta do presidente Trump do Facebook - que hoje não pode postar lá, nem no Twitter, nem no YouTube. (Só sobrou o TikTok, que de tanto que ele não quis agora não o quer também).

Há pouco a ser discutido pelas medidas em si, sendo uma questão de política das plataformas e seu direito banir usuários que não as respeitem. Mas há muito a se refletir sobre o impacto dessas decisões.

1. Por que só agora? Não foi a primeira vez que o presidente fez esse tipo de publicação.

2. Who run the world? O fato de um conjunto de CEOs ter a capacidade de praticamente calar um presidente diz muito sobre a nossa sociedade, e o tamanho do poder concentrado em tão poucas mãos.

3 É uma confissão de culpa? Se as suas plataformas são apenas o meio, e nada têm a ver com o conteúdo e opiniões que circulam lá dentro, por que bloquear as páginas é uma medida de segurança? Talvez porque aqueles posts e seus comentários tenham impacto, sim, na vida real?

4. O que poderia ter sido feito antes? Atitudes foram tomadas aqui e ali, mas nunca nada tão drástico. Medidas como restringir a segmentação de conteúdo, por exemplo, já eram levantadas desde a época da Cambridge Analytica.

5. Que tipo de precedente isso deixa para os próximos anos? Porque, ao que tudo indica, o extremismo não vai diminuir. Será esse apenas o primeiro caso de uma figura assim pública sendo bloqueada?

6. Vai chegar a hora do Brasil? O conteúdo publicado pela nossa grande autoridade não difere muito do presidente americano (propositalmente, inclusive). Será que corremos o mesmo risco?

E por último e mais importante:

7. Existe saída? É possível frear esse tipo de movimento antes que ele chegue ao ápice? É tarde demais para evitar que o ódio exacerbado que circula nas redes sociais transborde para o mundo real?

Existe alguma forma de aproximar as realidades em que a gente vive - não só umas das outras, mas dos fatos em si? E qual o papel que as redes sociais têm a cumprir nisso de forma coerente e definitiva, e não só emergencial?

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Momento de Inspiração

Muita coisa legal já aconteceu do fim do ano pra cá, mas o rebranding do Burger King foi o grande destaque. Deve ser bem difícil renovar uma marca tão conhecida e com tantos pontos de contato no mundo todo. Isso torna esse trabalho ainda mais brilhante. Uma aula de como entregar simplicidade sem perder personalidade e diferencial.


Caixa de Perguntas

Comecei essa seção ano passado e desde então 14 perguntas já foram respondidas - sobre estratégia, conteúdo, newsletter, branding.. É um espaço pra opinar e esclarecer mais livremente, falar mais da minha experiência, o que tem por trás da Bits e, claro, como eu posso ajudar por aí.

Dito isso, agora é com vocês: vamos encher essa caixinha com perguntas para 2021? :)

Deixe aqui neste link sua pergunta sobre construção de marca, uma tendência recente, sobre newsletter ou estratégia de conteúdo, que toda semana uma delas será respondida.

O que ler/assistir/conferir

Tem algo muito especial em construção por aqui. Em breve vamos lançar um Curso de Curadoria de Conteúdo para Marcas e Criadores. É para aprofundar em curadoria como tendência, estratégia e ferramenta. De forma prática, com base em mais de dois anos de newsletter e muita pesquisa. A turma é pequena, por isso peço que se você tem interesse, deixe suas informações aqui neste link para saber de tudo antes e garantir vaga :)

O rebranding da Pfizer. Uma marca que está deixando de ser reconhecida pelas suas pílulas (como Advil e Viagra), e migrando para o noticiário e a vanguarda em pesquisa científicas precisava de um novo visual para acompanhar a mudança.

Com a popularização das Alexas, histórias como essa se tornarão comuns:

É possível construir marca fora do Instagram? Fiquem de olho na Bottega Veneta. A marca deletou a sua conta, disposta a provar o ponto de que luxo é sobre desejo e exclusividade. Tem muitas tendências amarradas nessa notícia - desde “offscreen é o novo luxo” à “mercantilização” de tudo no Instagram. Ressignificar a presença de marca é preciso. E tal presença pode e deve estar muito além das redes sociais.

O Notion viralizou no TikTok. Uma combinação surpreendente, pra mostrar que a rede não é feita só de dancinhas. Um produto complexo, preto e branco e (em regra) B2B, caiu no gosto dos jovens e surpreendeu até o time de marketing. Mais um ponto para o engajamento que o conteúdo feito de pessoa pra pessoa e espontâneo que só o TikTok é capaz de proporcionar.

Eu vi Soul dias antes da virada do ano, e o filme me inspirou a não listar metas para 2021. Quero seguir realizando, criando e produzindo, mas com foco na jornada e em inserir hábitos e rituais melhores na minha vida - e não com metas a bater como se só aquilo fosse a única validação. Meio anti-coach, mas bem como esse filme se propõe a ser. Uma obra prima da Pixar que todo mundo deve assistir.


Final notes

2021 vai ser leve!, eles disseram. Não tem como piorar!, eles disseram. E cá estamos abrindo o ano com uma análise dessas haha Mas não vou perder a esperança de que vai melhorar. Por aqui, tem muitos projetos, muito conteúdo, muita coisa legal pra tirar do papel este ano. Vamos juntos pra mais um :)

-Beatriz

PS: para falar direto comigo, use o botão “responder”, ou escreva para beatriz@bitstobrands.com

obrigada por ler até o final, e não esqueça de compartilhar :)

👩🏻‍💻 curadoria e textos por Beatriz Guarezi. estrategista de marcas, curadora de conteúdo e escritora de e-mails.

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