Bits to Brands #5 | A Amazon é uma empresa do quê?

A Amazon é uma empresa do quê?

Semana passada, durante uma palestra, enquanto eu falava sobre a Amazon uma das pessoas perguntou "Ué, você tá chamando de empresa de tecnologia, mas a Amazon não é uma empresa de varejo?"

É. E é de tecnologia. E de pilhas. E de e-readers. E de smart speakers. E de roupas. E de alimentos. E de lojas de conveniência. E, quem sabe em breve, de remédios. Ah, e de ração pra cachorro também.

Esses itens fazem parte da estratégia recente da Amazon de não apenas disponibilizar uma plataforma para marcas venderem produtos, mas de comercializar suas próprias marcas.

O New York Times explorou essa estratégia de private labels, em uma análise muito completa.

Hoje, eu queria destacar os pontos desse artigo que mais evidenciam a revolução que a Amazon está causando no varejo, usufruindo do seu site, buscas, Alexa e dados - infinitos dados.

Sobre as private labels da Amazon
- "Em somente alguns anos, a AmazonBasics [marca da Amazon para itens como pilhas e carregadores] conquistou quase um terço do mercado de pilhas online, superando tanto a Energizer quanto a Duracell. [...] Se com pouco esforço a Amazon se tornou um grande player no mercado de pilhas, o que mais seria possível?"

- "A Amazon já tem quase 100 marcas próprias à venda no seu marketplace, sendo que só algumas tem 'Amazon' no nome. Outras possuem nomes aleatórios, como 'Good Brief' (underwear masculina) ou 'Wag' (ração para cachorro)"

"A previsão de especialistas é de que quase metade de todas as compras feitas online nos Estados Unidos vão acontecer na plataforma da Amazon nos próximos dois anos. Isso pode levar a receita da Amazon com as suas marcas próprias a 25 bilhões de dólares - que foi a receita da Macy's no ano passado"

Sobre o papel da Alexa nessa competição:
- "Conforme os consumidores compram cada vez mais usando tecnologias de voz, o mercado fica ainda mais desequilibrado. Por exemplo, pessoas que pedem para Alexa 'comprar baterias', recebem uma opção: AmazonBasics"

- "Competidores e especialistas da indústria estão acompanhando de perto os smart speakers da Amazon, se perguntando se ela irá utilizar essa ferramenta que só cresce para atrair cada vez mais consumidores para as suas próprias marcas"

Sobre o uso de inteligência e dados:
- "A Amazon está utilizando o conhecimento poderoso do seu marketplace - de otimização de busca por palavras-chave à análises de vendas dos seus competidores, e reviews dos consumidores na plataforma -, para atrair as pessoas em direção às suas próprias marcas"

- "Olhe para buscas por palavras-chave. Aproximadamente 70% das buscas feitas na Amazon são por produtos genéricos. Isso significa que os consumidores estão digitando 'tênis de corrida', ao invés de pedirem especificamente pela Nike"

E em resumo:
- "Com a sua expansão para private labels, a Amazon deixou de ser um parceiro de distribuição imparcial, 'que ganhe o melhor produto', e se tornou um competidor direto desses vendedores"

Para encerrar, um resumo desse artigo que deixa bem claro o que está acontecendo com as compras na Amazon nos últimos tempos, cortesia do Marketoonist:

São tantas frases prontas para irem para palestras
sobre "inovação disruptiva", que eu nem sei.
Enquanto isso, a gente vai ligando todos esses pontos por aqui :)

- Beatriz

Os melhores links da semana



"Google, agora eu quero meditar"
De tanto as pessoas pedirem, o aplicativo Headspace adaptou seu conteúdo para smart speakers. O resultado? 90% desses usuários voltam para uma segunda sessão, e o número de usuários ativos em 2 meses levou 40 meses para atingir no mobile.

Todas as redes sociais estão ficando iguais
Essa análise polêmica (e ma-ra-vi-lho-sa) sobre esse tal de roubar as features do outro que se tornaram as redes sociais. A grande questão é: será que ao serem assim cada vez mais híbridas, as plataformas estão fornecendo uma experiência melhor?

Mais uma chance para o Google Duplex
Lembram daquela ligação do Google para o salão de beleza, que aterrorizou todo mundo no último I/O? A feature foi divulgada novamente essa semana, dessa vez deixando claro que é um robô antes de prosseguir.

IGTV versus YouTube, uma semana depois
Uma análise da Forbes sobre os pontos fortes e fracos de cada plataforma, e sobre como o Instagram está apostando nas suas forças para dominar o mundo.

Addictive by design


Essa imagem com diferentes truques de design feitos para nos viciar em smartphones é parte de um artigo muito bom sobre o assunto, que discute a nossa responsabilidade sobre o vício em tecnologia, e a das empresas.

Para ler com calma, no Medium. E refletir. E quem sabe até desativar algumas notificações.

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