Bits to Brands #4 | O Instagram agora tem um TV. E nós temos muitas dúvidas.

O Instagram agora tem uma TV. E nós temos muitas dúvidas.

De um ponto de vista de interação, redes sociais e dados pessoais, a Internet hoje funciona mais ou menos assim:

- O Facebook tem as nossas interações diretas uns com os outros (Whatsapp, Facebook, Instagram). Ele sabe com quem a gente fala, com qual frequência, e que tipo de conteúdo desperta o nosso interesse a ponto de gerar curtidas, comentários e compartilhamentos públicos.
- O Google tem as nossas informações mais privadas, como as buscas que fazemos, as fotos que estão no rolo da câmera (Google Fotos), os nossos e-mails (Gmail) e os vídeos que assistimos (YouTube), além dos lugares que frequentamos (Maps e Waze).

Esses universos de informação, cada um a seu modo, são monetizados através de anúncios e estratégias que vão de influencer marketing à SEO.

A briga por ter cada vez mais dados passa, necessariamente, por conseguir dados que são "do outro". E essa semana, ela ganhou destaque quando o Instagram lançou o IGTV. Basicamente, "um novo aplicativo para assistir a vídeos verticais mais longos dos seus criadores favoritos do Instagram".

E se para derrubar o Snapchat, o Zuckerberg copiou e colou o seu produto, no caso do IGTV ele fez modificações consideráveis em relação ao YouTube.

Além dos vídeos na vertical, no IGTV a gente não precisa buscar um conteúdo específico, eles já irão começar automaticamente, como na TV. O que define qual "canal" estará passando, são as pessoas que seguimos. Vai ser mais fácil, também, interagir com os vídeos e recomendar via direct.

Ok, sabemos o que é. Mas o que isso significa?

Será que é realmente o fim do YouTube? Que tipo de conteúdo vai pro IGTV? Como ele será monetizado? Mais um aplicativo?! Será que não existe um limite pra quantidade de lugares diferentes onde a gente consome conteúdo? Quanto tempo até os pontos turísticos e camelôs pelo mundo serem dominados por paus de selfie na vertical?

Enquanto ainda é cedo para respostas, arrisco algumas suposições.

- Se no YouTube há a preocupação com posicionar a câmera, editar, ter o melhor título, thumbnail, atrair pessoas para o canal.. no IGTV, é só reposicionar o celular, e a audiência já está ali. Dessa forma, fica mais fácil transformar pessoas "normais" em criadores de conteúdo.

- Falando em reposicionar, a "oficialização" do modo vertical como facilitador para produzir e assistir vídeos deve ser um dos maiores impactos do IGTV nas outras redes.

- Algumas análises já apontam o IGTV como a investida do Facebook Inc. no público mais jovem. Já que o Facebook não faz mais sentido, e é no YouTube em que eles encontraram novos ídolos e muito conteúdo, o Instagram traz um pouco dessa atenção para perto.

- As teorias da conspiração sobre o fim do YouTube devem trazer à tona um velho debate, que é até que ponto criadores de conteúdo devem depender 100% das plataformas. O quanto dividir seu crescimento e seguidores é benéfico, em relação ao quanto é volátil? Como trazer essa audiência para si?

- O desafio para as marcas será diversificar seus investimentos não só por creator, mas por plataforma. Supondo que IGTV e YouTube atraiam públicos diferentes e tipos de conteúdo diferentes, como determinar qual é mais interessante para aquele produto e objetivo?

Por hoje é só, apesar de eu ter feito mais perguntas do que respondido. Mas conforme as coisas forem acontecendo, a gente vai tirando novas conclusões por aqui :)

- Beatriz

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Scott Galloway.

Já que estamos falando de Google versus Facebook, recomendo esse TED do Scott Galloway, que acrescenta ainda Amazon e Apple e faz um panorama genial sobre a influência dessas marcas no nosso comportamento - e no mundo.

O livro dele, "The Four", traz essa análise detalhada e é um dos melhores que eu li esse ano.


Ah, e pra quem também ficar fã, a empresa dele manda uma newsletter diária sobre tecnologia, mercado e marca, que já que estamos aqui, recomendo também.

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