Bits to Brands #3 | Precisamos falar sobre Alexa

Precisamos falar sobre Alexa

Eis uma das intersecções mais fascinantes entre marca e tecnologia. Muitos especialistas acreditam que a comunicação por voz através de assistentes inteligentes vai mudar a nossa forma de interagir da mesma forma que o uso de smartphones, com suas touch screens e aplicativos.

Se as tendências se confirmarem, assistentes ativados por voz (os smart speakers) vão mudar tudo: a forma como pensamos produtos de tecnologia, as estratégias de comunicação das marcas e o nosso comportamento de compra.

Esse assunto certamente vai aparecer muito por aqui. Por isso, começamos com um pouco de contexto.



1) O que são

Estamos falando de devices em que a interação acontece através de voz. Você os instala na sua casa, conectando à internet e à sua conta (da Amazon ou do Google) e informações. Para ativá-los, é só dar o comando inicial ("Alexa", ou "Hey, Google") e pedir o que gostaria - seja isso uma informação, ligar para alguém, fazer uma compra ou até chamar um Uber. O device, por sua vez, responde também em voz alta, com o máximo de naturalidade que a sua inteligência artificial permite.
Este vídeo de demonstração do Google Home ilustra bem como eles funcionam.


2) Qual o seu impacto

Aqui no Brasil, o nosso contato com esse tipo de assistente tem se dado pelo celular, principalmente com a Siri e o Google Assistant. Mas nos Estados Unidos, esses devices tem feito parte das salas de estar e cozinha das pessoas há mais ou menos três anos. A interação constante nos últimos tempos tem trazido uma série de impactos. Dentre eles:

- O Amazon Echo Dot foi o produto mais vendido de toda a Amazon, no Natal de 2017;
- 62% dos americanos que possuem um smart speaker já fizeram uma compra através dele, e 36% deles compram regularmente;
- A Alexa tem se tornado parte da família. Em 2017, ela contou 100 milhões de piadas, cantou "Parabéns" milhões de vezes e recebeu mais de um milhão de pedidos de casamento;
- A disputa por espaço nas casas das pessoas está acirrada. No início de 2017, a Amazon tinha 80% do mercado, e o Google 19%. No início deste ano o jogo virou, e agora é o Google quem tem a liderança com 36%, seguido por 28% da Amazon.



3) O que o meu trabalho tem a ver com isso?

A interação por voz ainda não é tão presente para nós quanto é para os americanos, mas é apenas questão de tempo. Hoje, o português brasileiro já é o segundo idioma mais falado pelo Google Assistant, somente via smartphone. Estratégias para os próximos 5 ou 10 anos precisam considerar as mudanças de comportamento trazidas por esses devices, que podem afetar:

- O desenvolvimento de novos produtos. Se um único assistente me permite encontrar informações, pedir delivery, colocar uma música, enviar uma mensagem.. para que eu precisaria de aplicativos para cada uma dessas coisas? A tendência é que as nossas tarefas fiquem cada vez mais integradas, e que baixar novos aplicativos se torne cada vez mais raro. Como criar novos produtos nesse contexto?

- A preferência por marcas. Ao fazer compras via smart speakers, as pessoas geralmente pedem por um produto. Por exemplo, "Alexa, compre pilhas". E se não há uma marca clara mencionada, a Amazon pode enviar produtos baseado no seu histórico ou em disponibilidade. Ou até, sugerir a sua própria linha de produtos. Como as marcas de bens de consumo vão reforçar a sua preferência, para que o pedido não seja por "detergente", e sim pela sua marca especificamente?

- A construção de identidade de marca. A diferença entre uma marca "divertida" e uma "confiável" vai estar muito mais ligada à experiência, ao serviço e à personificação daquela marca do que estamos acostumados hoje. Em um mundo com menos telas, não basta apenas ser roxo enquanto todos são azuis, será preciso determinar tom de voz, maneiras de interagir e incorporar os atributos da marca ao produto final.


Tem muita coisa acontecendo nesse universo, que eu particularmente adoro.
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- Beatriz

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Não tem uma tirinha do Tom Fishburne que não seja brilhante.
Na dessa semana, ele ironiza o atual uso indiscriminado de palavras como "blockchain" e "VR" (alô, startupeiros!), e dos nossos dados pessoais para vender anúncios.
Essa tá ideal para encaminhar no "#geral" do Slack da firma, e ver se *aquela* pessoa pega a indireta.

Aqui, eu compartilho os destaques da semana, mas no Twitter tem novas referências todo dia e no Medium reflexões em mais profundidade. O LinkedIn é para networking, se você for de networking :)

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