Bits to Brands #22 | Manipulação através de dados vira questão nacional

Manipulação através de dados vira questão nacional

Eis o tema da redação do ENEM de 2018: "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados da internet".

Sabemos que a manipulação do comportamento do usuário na internet vai de anúncios a influenciadores, mas a julgar pelos textos de apoio, a prova queria que as pessoas focassem nas próprias plataformas. Destaco alguns trechos:

"A filtragem de informação feita pelas redes sociais ou sistemas de busca pode moldar nossa maneira de pensar. E é esse o problema: a ilusão de liberdade de escolha que muitas vezes é gerada pelos algorítimos"

"Estamos caminhando para uma era em que é a máquina que decide qual notícia deve ou não ser lida"

"O que está em jogo não é tanto a questão 'homem versus máquina', mas sim a disputa 'decisão informada versus obediência influenciada'"


A tarefa era dissertar sobre, culminando em uma "proposta de intervenção que respeite os direitos humanos". Antes de mais nada: que reflexão de altíssimo nível. Um problema super atual, que influencia a todos nós e demanda uma solução cada vez mais urgentemente. Vai, planeta! <3

E também um assunto que renderia muito, mas muito mais que as 30 linhas limite da prova. Exercitando a questão o mais rápido possível (como todos tiveram que fazer domingo), me vieram duas abordagens:

- A primeira e mais prática é manter as timelines exclusivamente cronológicas. O que teria certa influência na experiência dos usuários, mas garantiria que os algorítimos não teriam poder sobre o que vemos primeiro ou com mais frequência.

- Ou tentar aproximar o algorítimo das pessoas, através de questionários e botões "on/off" que nos transfiram parte da responsabilidade pelo que vemos. "Quer continuar vendo conteúdo como esse?", "Quais assuntos mais te interessam?". Hoje, isso é medido pelos nossos likes e comportamento na plataforma, mas o consentimento e controle poderiam ser mais explícitos.

Agora seja qual for a proposta de solução, a conclusão para o meu texto só tem como ser uma:

Como usuários, nós ganharíamos em autonomia e em liberdade. Mas em ambos os casos, as plataformas botam a perder seu poder de barganha com anunciantes e a sua influência sobre o tempo e consistência em que ficamos conectados. E, claro, um alimenta o outro.

Se tem algo que 2018 mostrou é que, nessa relação usuário-anunciante-plataforma, está cada vez mais difícil todo mundo ganhar ao mesmo tempo nas redes sociais.

E você, como usaria essas 30 linhas?
- Beatriz

~ Nos vemos no RD Summit? ~

Nessa sexta-feira vou passar o dia no maior evento de Marketing Digital da América Latina. Na minha agenda tem futurismo, redes sociais, neuromarketing, Nubank, Tinder e, claro, Glória Maria.

Se você vai, responde aqui pra gente trocar uma ideia lá!
Se não vai, eu vou dividir no Stories do Instagram os principais insights.
Siga para acompanhar:


seguir @beatrizguarezi

Os melhores links da semana

Do New York Times: como o ódio prospera nas redes sociais
Está cada vez mais claro que as redes sociais nunca entenderam as consequências negativas da influência que tem no mundo - muito menos o que fazer sobre isso. E já não dá mais para colocar o gênio de volta na lâmpada.

Marcas assinam manifesto pela defesa dos direitos da comunidade trans nos EUA
"Diversidade e inclusão são bons para os negócios (...) a população transgênero é nossa amada família e amigos, além de valorosos membros da equipe". Diz o manifesto que 56 marcas assinaram, frente às alegações mais recentes de Donald Trump. Falta quanto tempo para marcas brasileiras começarem a se posicionar dessa forma?

Uma história contada via Facebook
Já que nem tudo são fake news, achei interessante o uso da plataforma para narrar a história de um livro. Aparentemente, é possível ler a história via Messenger de forma interativa, com direito a lives no Facebook com o autor e perfis no Instagram para os principais personagens. Ainda prefiro um Kindle, mas..

WTF is TikTok


Sinais da idade: Tik Tok para mim era aquela música da Kesha. Mas em 2018, é um dos aplicativos mais populares dos EUA. Mês passado, inclusive, ele foi o mais baixado, ganhando de YouTube, Instagram, Snapchat e Facebook. O que me fez estourar a minha bolha, e ir atrás do que é esse aplicativo, e por que ele anda tão popular. Divido com vocês, que também não estão mais por dentro do que os ~JOVENS~ andam consumindo:

TikTok é o resultado da aquisição do Musical.ly pela Bytedance (por 800 milhões de dólares!). Musical.ly, por sua vez, era aquele aplicativo muito popular entre crianças e adolescentes, onde muita gente fazia dublagem de músicas.

Mas ele evoluiu a partir desse formato, e hoje é basicamente uma rede social onde as pessoas postam vídeos curtos sobre qualquer assunto. E parece que qualquer assunto mesmo. Tem desde música e blogueirinhas à humoristas e receitas. Em um formato mais curto e mais espontâneo do que o YouTube - o que aparentemente é a chave para cativar o público mais jovem.

E para quem acha que é "coisa de criança": o Brasil está entre os cinco países que mais usam o aplicativo, que tem 100 milhões de usuários mensais por aqui. Além da sua própria lógica, formato, influenciadores e monetização. Precisamos sair da bolha.

Para se aprofundar mais:
- Esse artigo bem completo, com quotes de influenciadores e do time Tik Tok no Brasil.
- O episódio 2 da parte 2 de "Seguindo os Fatos", no Netflix. Ele se chama "Jovens Influenciadores" e mostra o (impressionante) dia a dia de uma menina que é famosa nessa plataforma.

~ É muito assunto pra não compartilhar ~

Entre a prova do ENEM, os links dessa semana e a descoberta do TikTok, tem muito assunto pra você segurar pra si.

Compartilhe essa newsletter e chame mais gente para discutir :)