Bits to Brands #8 | Plot twists. Plot twists por todos os lados!

Plot twists. Plot twists por todos os lados!

"Plot twist é uma mudança radical na direção esperada ou prevista da narrativa de um romance, filme, série de televisão, quadrinho, jogo eletrônico ou outra obra narrativa"

Ou, no nosso caso, da narrativa das marcas que temos mencionado nos últimos tempos.

Netflix

Depois de termos passado a edição #6 falando sobre o que a Netflix tinha de diferente em relação às demais gigantes, sua estratégia, seu potencial - e também seus riscos.. não deu outra. Saiu o report de resultados do último quarter, indicando que o número de novos assinantes foi abaixo da meta. Um milhão de pessoas a menos do que o previsto.

O resultado foi uma queda de 12% no valuation, e muitos questionamentos do mercado. Não é que adicionar mais de 5 milhões de assinantes seja algo ruim. Mas o modelo de negócios da Netflix só é sustentável se essa curva de crescimento for acentuada o suficiente para cobrir todo o investimento em conteúdo.

Basicamente, a Netflix foi de queridinha a gigantesco ponto de interrogação em uma semana.

Da FastCompany, How Everything Changed for Netflix This Week
Da INC, Do Traditional Media Companies Really Want to Be Netflix?



Nubank

Outra marca que apareceu por aqui já na primeira edição, por conta do seu propósito e inovação que vai além da tecnologia. Hoje ela volta, com um viés um pouco diferente.. Na última sexta-feira (20/07), teve um bug na NuConta. Várias pessoas tiveram dificuldade para fazer pagamentos e transferências, e a feature ficou algumas horas fora do ar.

A marca, ao se posicionar sobre o assunto, confirmou que estava trabalhando para solucionar o problema, e que "clientes que precisem realizar pagamento com o vencimento de hoje o façam por outra plataforma”.

Mas como assim "outra plataforma"? O Nubank não desenvolveu uma conta própria, com transferência e boletos, possibilidade de fazer a portabilidade do seu salário, etc.. para que você pudesse largar os outros bancos "do mal"? A ideia não era ser banco digital, solução completa, super-herói?

Ao menor sinal de instabilidade, pedir para que as pessoas tenham outra plataforma com que contar prejudica esse posicionamento. Pode reforçar a ideia de que banco digital é "acessório", "segunda opção", e alimentar a atmosfera de desconfiança que afeta todas as fintechs.

Nubank, te adoro, mas tem que ser "gente boa" e "parceiro" nas horas ruins também, e não só nas horas boas.


Elon Musk

Esse não foi tanto um twist, quanto foi um agravamento. Quando falamos do Elon Musk na última edição, seus tweets estavam apenas no começo. Desde então, eles se intensificaram a ponto de envolver uma acusação de pedofilia (?), e aí as piadas perderam a graça. Ficou só feio.

Tão feio, que ele recebeu uma carta aberta de um investidor, preocupado com o valor das ações da Tesla (que caiu) e com a percepção que esses surtos no Twitter pode gerar sobre a capacidade de liderança do Musk.

Tudo a ver com a tal relação entre "marca criador" e "marcas criatura" - como certas marcas ainda tem a sua credibilidade diretamente atrelada à do seu criador. E a fragilidade que isso gera, especialmente em tempos de redes sociais e temperamentos fortes.

“You might consider taking a Twitter sabbatical. Twitter might keep Tesla in the news but it won’t help continued improvements in production and product.” É isso.


PS: A semana também não foi tranquila para o Google, que levou uma multa bilionária da União Européia; para a Amazon, que teve problemas no Amazon Day; e para o Facebook, desde que o Zuckerberg mencionou holocausto e fake news em uma declaração só.

Das duas, uma. Ou esse mercado se move tão rápido que fica difícil pra uma newsletter semanal acompanhar. Ooou, a gente anda muito pé frio.

- Beatriz

Se esse conteúdo é útil para você, ajude mais pessoas a encontrá-lo
compartilhando nas redes sociais, ou indicando por e-mail:

Os melhores links da semana


"Authenticity still matters. Even in 2018."
A última edição da newsletter do Avinash Kaushik, do Google, trouxe cinco verdades inconvenientes (e muito bem argumentadas) sobre influencer marketing. Me ganhou desde a primeira frase. Vale ler - e assinar para receber as próximas!

Netflix + Shonda Rhimes + Ellen Pao + Machismo no Vale do Silício
Tudo isso, em forma de entretenimento. A Shonda Rhimes anunciou 8 novos projetos junto à Netflix, e um deles vai trazer a história da ex-CEO do Reddit e girl boss, Ellen Pao.

Voice Interface e UX Design
VUI: Voice User Interface. Um passo a passo da Tera para pensar em UX nesse universo.

Scooter wars!
"Quem vai vencer a guerra das scooters?" já é a minha manchete favorita de 2018. E é seríssimo. Com o crescimento de scooters compartilhadas como meio de transporte nos EUA, a Uber está entrando na briga

Dissonância Cognitiva

Dissonância cognitiva é o que acontece com a gente quando há inconsistências entre o que acreditamos, e o que fazemos. Comprar aquele item mesmo sabendo que devemos economizar, pedir uma sobremesa, fumar um cigarro..

Esse artigo incrível explora o impacto desse fator no nosso comportamento e, claro, no que consumimos. Basicamente, empresas que encurtam a distância entre o que acreditamos e o que fazemos, têm uma oportunidade viável de mercado.

Essa teoria é ilustrada com exemplos de aplicativos de controle financeiro e marcas buy-one, give-one como a TOMS.

Está em inglês, mas vale muito a pena ler, e tentar identificar em qual inconsistência a sua marca atua.

Aqui, eu compartilho os destaques da semana, mas no Twitter tem novas referências todo dia e no Medium reflexões em mais profundidade. O LinkedIn é para networking, se você for de networking :)

Se alguém te encaminhou essa newsletter e você quer assinar para receber toda semana, é só clicar aqui: